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Carta de intenções da Chapa 3

  • 3 de out. de 2017
  • 5 min de leitura

"POR UMA USP PARTICIPATIVA"

Caros uspianos,

Somos os professores Ildo Sauer, do Instituto de Energia e Ambiente da USP (IEE), e Tércio Ambrizzi, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG). Somos candidatos pela Chapa 3 "Por uma USP Participativa" a reitor e vice-reitor da USP, respectivamente.


Pelo nome de nossa chapa você já pode depreender o que consideramos ser o principal problema que vivemos na nossa universidade ao longo das últimas gestões, particularmente, desta, que se encerra neste ano. As decisões unilaterais e a falta de participação dos docentes e da comunidade uspiana nas decisões estratégicas de nossa instituição.


O símbolo do distanciamento, da ausência do diálogo e da falta da convivência pacífica com a divergência, inerente à comunidade, é o enclausuramento da Reitoria, cercada de grades, parecendo um bunker. Portanto, primeira providência que tomaremos, como testemunho da nossa confiança no resgate do diálogo como mecanismo de convivência dentro da USP, será a retirada das grades que hoje isolam a Reitoria.


Queremos, nesta carta de intenções, dizer a você que nossa gestão à frente da USP terá um caráter diferente do que vivenciamos nos últimos anos. Isto não quer dizer que não daremos continuidade e não aproveitaremos o que foi feito no sentido correto como, por exemplo, as medidas de inclusão aprovadas recentemente no Conselho Universitário. Vamos reforçar tudo aquilo que estiver bom dentro da USP, contudo, sempre discutido com a comunidade.


Temos dito aos nossos colaboradores que a atual crise pela qual passa a nossa universidade é grave, mas, que ela não é maior do que a Universidade de São Paulo. Nós temos a convicção de que ela é muito menor do que a nossa capacidade de superá-la. São várias e boas as propostas, muitas delas já incluídas em nosso programa, e outras que estão em programas dos colegas que comigo disputam a reitoria, mas que certamente, depois de nossos debates, poderão ser aproveitadas. Propostas e ideias não faltam para podermos seguir em frente. É mais fácil quando avançamos. Juntos!


Mas o que precisamos superar neste momento para podermos implementar todas essas propostas, é o clima de frustração que tomou conta de nossa comunidade. Frustração esta que é consequência do fechamento que ocorreu na última gestão. Das promessas feitas na campanha e descumpridas depois. E, mais do que isso, em nossa opinião, este clima é, principalmente, fruto de medidas centralizadoras colocadas em prática pela gestão Zago/Vahan.


Como afirmamos em nosso programa, a USP é uma universidade de excelência. Ela é a universidade com maior produção científica do Brasil, sendo também a que mais produz na América Latina. A variação positiva no número de artigos publicados no período entre 1989 e 2014, foi em torno de 1600%. Sem dúvida estamos na melhor universidade do Brasil e da América Latina. E é importante que se diga, e nós o dissemos em nosso programa, que a USP só chegou onde chegou por conta da alta qualidade de seu corpo docente, de seus alunos, seus pesquisadores e de seus funcionários técnico-administrativos.


As dificuldades financeiras, que obviamente são passageiras, não podem e não devem provocar a redução e o alcance desta excelência conquistada por tantas gerações que nos antecederam. Não podemos concordar com o apequenamento que se pretendeu impor à nossa universidade. As expectativas de São Paulo e do país para com a USP são enormes. Por isso, a USP tem que ser grande. O desrespeito a algumas de nossas instituições e o desprezo sistemático pela atuação acadêmica dos nossos docentes foram maneiras inapropriadas de se agir e feriram gravemente o amor que a comunidade uspiana tem pela nossa instituição. Isso tem que mudar!


Medidas como redução indiscriminada, e sem planejamento, de servidores, que muitas vezes provocam a queda na qualidade da administração, do ensino e dos serviços prestados pela nossa universidade, não podem e não devem ser a principal forma de se enfrentar a crise e a falta transitória de recursos que vivemos. Nosso maior patrimônio é humano! Não é razoável que uma universidade do porte da USP seja reduzida em suas atividades e em sua importância acadêmica. É bom que se diga que a crise é passageira, mas as perdas provocadas pelos cortes são irreversíveis.


Não nos parece razoável, por exemplo, que a USP queira se desfazer, sem nenhum debate sério, sem nenhuma argumentação convincente, de uma unidade de ensino, assistência e pesquisa do porte e do padrão do seu Hospital Universitário, considerado como um dos melhores hospitais universitários do país. O HU, hospital de nível secundário, que é sistematicamente elogiado pelos estudantes porque complementa as atividades especializadas e terciárias de ensino do HC, está sendo deixado à deriva pela atual gestão da Universidade apesar do grande esforço de recuperação realizado diariamente pela equipe do próprio HU. O HU é uma forma de devolvermos á sociedade o investimento dado á USP.


Há que se reduzir gastos supérfluos, combater a ineficiência, introduzir métodos inovadores de gestão do orçamento, etc, mas, deve-se, acima de tudo, buscar sempre, além da boa gestão, o incremento de recursos para se evitar cortes naquilo que é o nosso maior patrimônio, que são os nossos funcionários, os nossos professores e os nossos alunos. A atual gestão não agiu da melhor forma neste quesito. O resultado é que o ensino, a pesquisa e a assistência em diversas unidades, acabaram sendo prejudicados.


Nossas propostas, constantes de nosso programa, tanto as de longo prazo, como, por exemplo, a constitucionalização do repasse financeiro do Estado, e outras, de mais curto prazo, como, por exemplo, a busca de maior compromisso e, por consequência, mais investimentos do SUS, tanto no âmbito do Estado, quanto das Prefeituras, nas ações de saúde da universidade - mantendo sempre a garantia que as unidades preservem a governança acadêmica voltada para o ensino e pesquisa -, bem como a readequação, o referenciamento e a priorização do atendimento da saúde para a comunidade USP, apontam na direção oposta.


Em nosso programa, afirmamos que a USP cresceu muito desde que conquistou sua autonomia financeira. Este crescimento, certamente, deve ser acompanhado de uma definição mais adequada de seu financiamento. Temos certeza que uma gestão austera, competente e transparente, como será a nossa, conseguirá sensibilizar a sociedade de que é necessário manter a nossa qualidade e a nossa excelência.


Propomos, portanto, uma grande união de todos os integrantes de nossa comunidade para resgatarmos a USP, para podermos mantê-la no lugar que ela merece entre as universidades mais respeitadas do país e uma das melhores do mundo.


Nossa história de vida, nossa carreira, nossa convicção de que o diálogo, o entendimento e a convivência democrática são os melhores meios de se resolver os conflitos, são as credenciais que apresentamos para a sua consideração. São as credenciais que permitirão que nós avancemos e conquistemos juntos os nossos objetivos maiores. Agiremos da mesma forma nos momentos de bonança e nos momentos de crise. Seremos as mesmas pessoas que se apresentam agora, com esta carta de intenções, para pedir o seu voto e o seu apoio.


O que podemos dizer, por fim, é que, diferente do que vem ocorrendo nos últimos tempos, em nossos propósitos e em nossa chapa vocês podem confiar. Na nossa gestão não haverá surpresas desagradáveis. Agradecemos por sua atenção e aproveitamos para informar que em nosso programa, que está sendo divulgado nas unidades e aqui no nosso blog (https://porumauspparticipa.wixsite.com/reitoria2017), nós detalhamos uma série de propostas para a nossa gestão 2018/2022.



 
 
 

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