Carta de intenções da Chapa 3 "POR UMA USP PARTICIPATIVA"
- 6 de out. de 2017
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Caros alunos, professores e servidores:
Pelo nome de nossa chapa vocês já podem depreender o que consideramos ser o principal problema que vivemos na nossa universidade ao longo das últimas gestões, particularmente, desta, que se encerra: as decisões unilaterais e a falta de participação dos docentes e da comunidade uspiana nas decisões estratégicas de nossa instituição.
Nossas reservas financeiras estão exauridas e nossa reputação em rankings, antes festejada, caiu. A crise transcende a grave situação financeira e atinge os mecanismos de convivência com a diversidade, o respeito às diferenças, a transparência e o diálogo, interno e externo, valores intrínsecos da Universidade. A USP pode e precisa mudar e para isso precisa de nova visão e nova liderança!
O símbolo do distanciamento, da ausência do diálogo e da falta da convivência pacífica com a divergência, inerente à comunidade, é o enclausuramento da Reitoria, cercada de grades, parecendo um bunker. O testemunho da nossa confiança no resgate do diálogo como mecanismo de convivência dentro da USP será a retirada das grades que hoje isolam a Reitoria.
Na Sociedade, a percepção positiva da USP também decaiu, com a repercussão da crise, e pela ausência de liderança para dialogar com autoridades, setor produtivo (empresas e trabalhadores), meios de comunicação e movimentos sociais, para realçar com transparência o papel da USP e buscar soluções.
A crise pela qual passa a nossa universidade é grave, mas ela é muito menor do que a nossa capacidade de superá-la. São várias e boas as propostas, muitas delas já incluídas em nosso programa, e outras que estão em programas dos colegas que conosco disputam a reitoria, mas que certamente, depois de nossos debates, poderão ser aproveitadas. Propostas e ideias não faltam para podermos seguir em frente. É mais fácil quando avançamos juntos!
Queremos, nesta carta de intenções, dizer a vocês que nossa gestão à frente da USP terá um caráter diferente do que vivenciamos nos últimos anos. Isto não quer dizer que não daremos continuidade e não aproveitaremos o que foi feito no sentido correto como, por exemplo, as medidas de inclusão aprovadas recentemente no Conselho Universitário. Vamos reforçar tudo aquilo que estiver bom dentro da USP, contudo, sempre discutido com a comunidade.
Mas o que precisamos superar neste momento para podermos implementar todas essas propostas, é o clima de frustração que tomou conta de nossa comunidade. Frustração esta que é consequência do fechamento que ocorreu na última gestão. Das promessas feitas na campanha e descumpridas depois. E, mais do que isso, em nossa opinião, este clima é, principalmente, fruto de medidas centralizadoras colocadas em prática pela gestão Zago/Vahan.
Como afirmamos em nosso programa, a USP é uma universidade de excelência. Ela é a universidade com maior produção científica do Brasil, sendo também a que mais produz na América Latina. A variação positiva no número de artigos publicados no período entre 1989 e 2014, foi em torno de 1600%. A USP só chegou onde chegou por conta da alta qualidade de seu corpo docente, de seus alunos, seus pesquisadores e de seus funcionários técnico-administrativos.
As dificuldades financeiras, que obviamente devem ser passageiras, não podem e não devem provocar a redução e o alcance desta excelência conquistada por tantas gerações que nos antecederam. Não podemos concordar com o apequenamento que se pretendeu impor à nossa universidade. As expectativas de São Paulo e do país para com a USP são enormes. Por isso, a USP tem que ser grande. O desrespeito a algumas de nossas instituições e o desprezo sistemático pela atuação acadêmica dos nossos docentes foram maneiras inapropriadas de se agir e feriram gravemente o amor que a comunidade uspiana tem pela nossa instituição. Isso tem que mudar!
Medidas como redução indiscriminada de servidores, sem planejamento e revisão prévia dos processos administrativos, provocam a queda na qualidade da administração, do ensino e dos serviços prestados pela nossa universidade, não podem e não devem ser a principal forma de se enfrentar a crise e a falta transitória de recursos que vivemos. Nosso maior patrimônio é humano! Não é razoável que uma universidade do porte da USP seja reduzida em suas atividades e em sua importância acadêmica. A crise é passageira, mas as perdas provocadas são irreversíveis.
Por exemplo, não nos parece razoável, que a USP queira se desfazer, de uma unidade de ensino, assistência e pesquisa do porte e do padrão do seu Hospital Universitário, considerado como um dos melhores hospitais universitários do país. O HU, hospital de nível secundário, que é sistematicamente elogiado pelos estudantes porque complementa as atividades especializadas e terciárias de ensino do HC, está sendo deixado à deriva pela atual gestão da Universidade apesar do grande esforço de recuperação realizado diariamente pela equipe do próprio HU. O HU faz parte da solução, e não do problema: há que buscar maior compromisso e, por consequência, mais investimentos do SUS, gerido pelos Governos Federal, Estadual e municipais, nas ações d e saúde da universidade - mantendo sempre a garantia que as unidades preservem a governança acadêmica voltada para o ensino e pesquisa -, bem como a readequação, o referenciamento e a ampliação do atendimento da saúde para a comunidade USP. De forma semelhante, também é possível ampliar a atuação em outras áreas, como o apoio ao ensino público, mediante parcerias em contrapartida pelo aporte de recursos.
Nosso programa contempla propostas para o resgate da USP. No campo institucional, a luta pela constitucionalização do repasse financeiro do Estado, por uma lei de gestão das instituições públicas de ensino e pesquisa, para superar as restrições da Lei 8.666, das licitações, além do fortalecimento do CRUESP e do sistema universitário paulista. No ensino, o incentivo à aprendizagem ativa, onde o aluno é protagonista, e à inter, multi e transdisciplinaridade, a ampliação da mobilidade nacional e internacional de professores e alunos. Nos processos de avaliação docente propomos o equilíbrio entre critérios objetivos, mensuráveis, a necessidade de avaliação qualitativa, subjetiva. Vislumbramos a necessidade da retomada dos processos de avali ação da carreira dos servidores, da progressão horizontal dos docentes, assim como atuação para alteração do teto salarial.
No campo da gestão sinalizamos medidas de informatização dos processos administrativos, compartilhamento regionalizado de serviços de manutenção e transporte, aquisição de insumos básicos em larga escala, para fazer valer o poder de compra da USP. Acima de tudo, buscar sempre, além da boa gestão, o incremento de recursos para se evitar cortes naquilo que é o nosso maior patrimônio, que são os nossos funcionários, os nossos professores e os nossos alunos. A atual gestão não agiu da melhor forma neste quesito. O resultado é que o ensino, a pesquisa e a assistência em diversas unidades, acabaram sendo prejudicados.
Em nosso programa, afirmamos que a USP cresceu muito desde que conquistou sua autonomia financeira. Este crescimento, certamente, deve ser acompanhado de uma definição mais adequada de seu financiamento. Temos certeza que uma gestão austera, competente e transparente, como será a nossa, conseguirá sensibilizar a sociedade de que é necessário manter a nossa qualidade e a nossa excelência.
Propomos, portanto, uma grande união de todos os integrantes de nossa comunidade para resgatarmos a USP, para podermos mantê-la no lugar que ela merece entre as universidades mais respeitadas do país e uma das melhores do mundo. A democratização deverá ser ampliada mediante a adoção dos critérios de proporcionalidade da LDB entre as categorias, para a eleição de dirigentes, e mediante consultas eletrônicas à Comunidade em tomadas de decisão, e mediante a elaboração, participativa, do planejamento estratégico para harmonizar a compreensão sobre a missão e as ações de curto, médio e longo prazos da USP e suas unidades.
Nossa história de vida, nossa carreira, nossa convicção de que o diálogo, o entendimento e a convivência democrática são os melhores meios de se resolver os conflitos, são as credenciais que apresentamos para a sua consideração. São as credenciais que permitirão que nós avancemos e conquistemos juntos os nossos objetivos maiores. Agiremos da mesma forma nos momentos de bonança e nos momentos de crise. Seremos as mesmas pessoas que se apresentam agora, com esta carta de intenções, para pedir o seu voto e o seu apoio.
Agradecemos por sua atenção e aproveitamos para informar que em nosso programa, que está sendo divulgado nas unidades e no site https://porumauspparticipa.wixsite.com/reitoria2017, nós detalhamos uma série de propostas para a nossa gestão 2018/2022.
Dia 23 de outubro: Consulta - Toda comunidade USP (docentes e funcionários da ativa e todos os estudantes de Graduação e de Pós-Graduação) poderá VOTAR.
DIA 23 DE OUTUBRO VOTE CHAPA 3 - "POR UMA USP PARTICIPATIVA"
Dia 30 de outubro: Lista tríplice - Votarão na Assembleia Universitária o CO, as congregações, os conselhos centrais, e os conselhos deliberativos dos museus e dos institutos especializados.
LEMBREM-SE DE QUE, NA ASSEMBLEIA UNIVERSITÁRIA, CADA ELEITOR TERÁ DIREITO A VOTAR EM ATÉ 3 CHAPAS.
Um grande abraço!
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Whatsapp: 11 981117937
e-mail: porumauspparticipativa@gmail.com
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